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12/08/2011

AAA ou AA+... E você com isso?


Nestes dias temos visto nos noticiários, e já estamos de saco cheio, depois que a agência internacional de classificação de risco Standard and Poor’s  (S&P’s), rebaixou a nota dos EUA de AAA (triple A) para AA+ o mercado reagiu de uma forma esperada. Mas daí nasce a seguinte pergunta, no que isto interfere diretamente nas nossas vidas? Considerando nossa situação de cidadãos normais, a mais pura verdade é que o rebaixamento da nota dos EUA não interfere em nada nas nossas vidas, agora vamos explicar o por quê.
Como podemos ver, foram grandes os esforços do então presidente dos EUA, Barack Obama, para que o congresso aprovasse o aumento do limite de endividamento dos EUA.  Desta maneira o país esta seguro de pagar em dia aos detentores de seus títulos. Obama venceu a batalha no congresso, porém a S&P’s não sentiu firmeza na atuação do governo e rebaixou a nota do país. O downgrade causou um mal estar e Obama rebateu a decisão da agencia com o pronunciamento descrito abaixo.


"Não importa o que uma agência pode dizer, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA. Apesar de todas as crises que passamos, temos as melhores universidades, as melhores empresas, e os mais inventivos empreendedores"

Nesta mesma semana as bolsas de valores do mundo inteiro registraram as maiores baixas desde a crise financeira de 2008.


Mais uma vez os pequenos investidores são prejudicados pelos especuladores do mercado, Para que você que nos lê possa entender, veja as declarações de Eike Batista, em entrevista a Folha de São Paulo, durante o “caos” da bolsa de São Paulo:

O que o Sr. tem a dizer às pessoas que estão mais pobres porque investiram em suas empresas?
E B - Tenho a dizer que minhas companhias têm US$ 10 bilhões em caixa e que vamos começar a produzir e a gerar receita. O meu mundo real não parou por causa de disciplina financeira e estou com todo o dinheiro necessário para alcançar a produção esperada até 2015. Essa crise está sendo vivida, mas que bom que estou com o caixa forrado e totalmente preparado.

Como manter sangue frio enquanto perde US$ 2 bilhões?
E B - Meu sangue nesta hora está geladérrimo. Não posso fazer uma avaliação dessas se o mundo hoje só quer comprar ações que estão gerando caixa e que pagam dividendo. Bateu uma paúra no mercado. Dinheiro é covarde!
O mundo real está bombando; não tem lugar em avião no Brasil, não tem gente para trabalhar e eu vou pagar dissídio de 8,5% para meus funcionários porque tenho medo de que eles vão embora. Que bom que a Europa e os Estados Unidos não vão crescer. Vai sobrar gente qualificada e equipamento para comprar.


Nos trechos acima Eike define a ideia principal deste texto: a diferença entre o mundo real e o mercado financeiro que vemos todos os dias no noticiário, O mundo real realmente esta bombando, como disse Eike, empregos estão sendo gerados, as famílias estão consumindo mais. Vendo o noticiário esta semana pude ver que as empresas contratarão mais estagiários neste ano de 2011, (o mês de agosto é o melhor para quem procura uma posição no mercado).

Nosso dever, por enquanto, é ficar de olho na evolução da inflação, esta sim nos afeta diretamente. As notícias que vem do hemisfério norte não devem alterar o comportamento do consumidor interno, não que devamos fechar os nossos olhos para os fatos, porém não devemos frear as nossas ações devido a especulações do mercado.

Se você investe em empresas na bolsa de valores, e confia na solidez destas empresas, não saia do mercado agora, desta maneira você vai consolidar as suas perdas e os especuladores vão comprar as suas ações a um preço inferior para se desfazerem na alta destas ações. O mercado trabalha para quem sabe navegar em mares calmos, mas trabalha melhor para aqueles que navegam em águas turbulentas.

Nas ultimas semanas as ações das empresas Vale e Petrobras sofreram grandes baixas, isso não quer dizer que empresas como estas irão à falência, antes de fugir do mercado, reflita sobre a operação das empresas nas quais você investe, pesquise o mercado, leia as publicações dos balanços trimestrais, o parecer dos auditores independentes, diante de todas essas informações, verifique se é vantajoso se desfazer das ações devido a perdas de 5 ou até 10% do capital investido.

Até a conclusão deste texto, a Bolsa de São Paulo estava fechando em alta, ou seja, aqueles que se desfizeram de suas ações no meio da crise instalada pelos noticiários, não acompanharam a alta, quem lucrou foi aquele que aproveitou o pânico dos investidores e compraram ações de empresas sólidas no mercado a preço de banana.


Estamos usando termos acessíveis à maioria dos nossos leitores, não usamos muitos termos econômicos, o objetivo é sermos claros.

Uma vez eu ouvi um professor da faculdade dizer que o dinheiro das bolsas é intangível, hoje eu sei que esta frase faz muito sentido. 


Obrigado e não deixem de nos acompanhar.

26/05/2011

SELIC: apenas mais uma ferramenta!



Todos os dias, pela manhã indo para o trabalho tenho o costume de ouvir o Jornal Gente da Radio Bandeirantes (para quem quiser acompanhar: 90.9 FM, ou 840 AM a partir das 8 da manhã) e nesta última segunda-feira (9/5) guardei algo interessante que o Joelmir disse no seu quadro diário (As 3 faces da moeda) e logo após endossado pelo professor Delfim que todas as segundas fala por volta de 8h30min ao jornal. SELIC alta provoca mais inflação e não menos. Confesso que fiquei ressabiado a 1ª vista, e paguei para ver!

Ao iniciarmos os estudos de economia, logo no primeiro ano de faculdade somos “lobotomizados” a responder a esta questão de bate pronto: SELIC alta; segura ou não segura inflação? Eu, você e provavelmente qualquer outro diria de olhos vendados: SIM, mas voltemos a bater mais uma vez na mesma tecla de sempre; economia tal como as demais ciências humanas e sociais, não se sustenta por apenas uma visão e, portanto não se explica por apenas uma escola de pensamento, ou simplesmente, não há apenas uma resposta correta. Eis então que surge a discussão:
 - Resumindo a questão, estamos no período chamado de aperto monetário, onde o mercado já estima novas altas da SELIC e o governo já admite a “cusparada pra cima” da elevação dos juros internos, criando uma desconexão cada vez maior em relação às taxas de juros externas. Mas isso é outro assunto.  E por que o Tombini faz isso?


 Bem! Uma resposta obvia e pronta: O temor ao retorno do “dragão da inflação”. Certo! Mas o fato é que este, já está à solta aterrorizando o consumidor, com uma perspectiva de fechamento da inflação quase acima do teto de 6,5% da meta para este ano.
Com isso já temos bagagem para irmos imediatamente ao tema central do post:
SELIC alta não é fator determinante no combate à inflação e ao inverso ainda ajuda na elevação dos preços.
 Isso se comprova num recente estudo realizado pela faculdade de economia  La Sapienza University de Roma,  a pedido do BIS (Banco Internacional de Compensações, localizado em Basel na Suíça, o banco central dos bancos centrais), onde neste estudo, por meio de uma série histórica de quase meio século, mostra que as taxas de juros básicas das principais economias do globo quando elevadas tendem a puxar para cima a inflação de seus respectivos países. Esse fato se explica por um raciocínio muito simples:
Taxa base de juros alta, eleva os custos de produção, que são repassados aos consumidores finais.
O preço do carro sobe, por que o minério de ferro sobe, o arroz sobe por que o fertilizante está caro e por ai vai.
Para reforçar essa tese, realizamos um estudo comparativo entre PIBxSELICxIPCA de 2002 para cá, onde fica explicito que há uma relação muito maior de PIB com IPCA do que propriamente, SELIC com IPCA:

OBS1: O prazo médio do mercado para a SELIC fazer algum efeito na economia é de 3 meses.
OBS2: Não considere 2009 na analise, qualquer efeito sobre a economia brasileira naquele momento era totalmente influenciado pela crise de crédito global.
Este gráfico nos diz que o governo segura a inflação freando o crescimento e é pelo PIB que se olha o comportamento da inflação e não pela SELIC.



O que acontece agora com a economia nacional é um reflexo da crise nos gigantes...isto é, as incertezas na Europa e EUA inundam o Brasil de dólares, principalmente pelo ganho de arbitragem entre taxas de juros. A lógica é a seguinte:

- Quanto mais dólar na economia, menos Real, se tem menos Real automaticamente ele está mais caro e se a moeda está mais cara então você tem mais inflação, somado a isso, temos o crédito e a recente ascensão da nova classe média, isso incrementa de maneira preocupante a perspectiva de inflação.

Nesse cenário cabe ao governo central cortar gastos, já que no momento de crise gastou a mais do que devia e o pior, gastou errado. A chamada política anticíclica, veementemente elogia mundo a fora se transformou numa maquina pública inchada, contratar funcionários é política anticíclica até a página 2, na 3 vira gasto permanente, pois quando a crise passa o governo não pôde simplesmente demitir, pelo contrário ainda deve corrigir os salários acima da inflação, pagar 13º, férias, etc, etc, etc.

Por fim é importante salientar que nosso objetivo não é tirar a credibilidade do Banco Central, (que é o menos culpado dessa história), pois em momento algum afirmamos que SELIC não é e não deve ser utilizada como ferramenta de política monetária, apenas estamos mostrando que o que dizem por ai sobre a SELIC é mito, anedota, mas mesmo assim podemos sem medo afirmar: SELIC pode ser utilizada para combater à inflação, mas são os gastos de custeio, que precisam de ajuste antes da taxa de juros.
Não se esqueçam:
Política monetária é refém de política fiscal, enquanto o governo gastar o que gasta e da forma que gasta as chamadas falhas de mercado serão cada vez mais visíveis e nocivas à economia. Tudo tende ao seu devido lugar quando o governo não age com medidas descabidamente populares e inconsequentes, visando o voto e nada mais.
Um grande abraço a todos, não deixem de nos acompanhar.
Economia sem Mito

01/05/2011

Dilma e o combate à inflação



Estamos vivenciando um momento no qual assistimos o avanço da inflação sem uma postura mais enérgica das autoridades responsáveis pelo controle da mesma. A tentativa recente de  frear o consumo, aplicando um aumento da alíquota do Imposto sobre operações financeiras (IOF), podemos afirmar que não tem surtido o efeito esperado.


O que temos visto é a queda do dólar, aumentando o consumo dos produtos importados, e uma grande alta no preço dos alimentos, o que prejudica de imediato a grande parcela da população com poder aquisitivo inferior.


Percebemos que o Governo Dilma vem atacando a inflação com certo ar de leveza, o que nos preocupa, pois a estabilidade em que vivemos nos últimos anos, pode estar ameaçada. Lula acertou ao dar continuidade no modelo de sustentação da estabilidade deixado por FHC — o tripé formado por câmbio flutuante, geração de superávit nas contas do governo e metas para a inflação.
A inflação é um pesadelo para empresários, cidadãos comuns e até mesmo o próprio governo.
“O mercado está confuso porque a política econômica tem tentado perseguir simultaneamente vários objetivos díspares”, diz o economista Cláudio Haddad, presidente da escola de negócios Insper, de São Paulo. “De um lado, o governo anuncia um ajuste fiscal, mas, de outro, continua a gastar”.


 


A cada dia que passa a população vê o poder de compra de seus salários, diminuir. No intervalo de mais ou menos um mês, os preços nas gôndolas dos supermercados brasileiros variaram muito (para cima).


"A inflação registrada pelo grupo Alimentação voltou a avançar, puxando a alta de 0,95% do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) em abril. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o grupo saiu de uma alta de 0,91% na quadrissemana encerrada em 22 de abril para um acréscimo de 1,04% na quadrissemana encerrada no dia 30.
Entre os itens que contribuíram para a inflação no grupo estão hortaliças e legumes (de 3,71% para 4,20%), panificados e biscoitos (de -0,43% para -0,22%), laticínios (de 2,12% para 2,51%) e carnes e peixes industrializados (de 0,74% para 1,16%). O item alimentação fora de casa também acelerou, de  0,70% para 0,89%." Jornal Estado de São Paulo
Há dois meses, a ministra Miriam Belchior, do Planejamento, anunciou cortes de 50 bilhões de reais no orçamento. Até agora, porém, não se viu onde as despesas serão reduzidas.
Ao mesmo tempo, o Tesouro continua a repassar recursos ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. O dinheiro é emprestado a empresas a juro subsidiado. Segundo o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, até o final do ano o estoque de crédito do governo ao BNDES alcançará 315 bilhões de reais — cinco anos atrás era inferior a 10 bilhões.
“Fica difícil para o BC conter a inflação enquanto o Tesouro injeta mais dinheiro no BNDES”, diz o economista John Welch, do banco de investimento australiano Macquarie.


A  falta de pulso  firme do Governo  no combate a inflação se deve ao receio de  frear o crescimento, mas devemos olhar um pouco para o passado e relembrar o Brasil da década de 70 onde o mundo nos elogiava e nos considerava como grande potência econômica dos anos 80, após o milagre econômico.
 O então Ministro da Fazenda na  ocasião, Delfim Neto,  fez a seguinte declaração: “Uma inflação de 19% no Brasil causa menos mal do que 5% nos Estados Unidos”
Em 1973, o mundo sofreu o primeiro choque do petróleo. O governo brasileiro, em vez de reagir com um ajuste que esfriasse a economia, adotou uma política desenvolvimentista bancada por endividamento externo. No final da década, enquanto o crescimento perdia o fôlego, a inflação já alcançava 95%
Passadas quase quatro décadas, o Brasil volta a ser motivo de elogio no exterior e a esbanjar autoconfiança. Em 2010, o crescimento foi de 7,5% e o nível de emprego formal bateu recorde.
Muito diferente do Brasil dos anos 70, o Brasil de hoje possui mais  resistência a choques externos, devido as reservas de  US$ 320 bi, mas alguns economistas já comparam o governo de Dilma Roussef com o dos generais Emílio Medici e Ernesto Geisel.


“A segunda edição do Plano Nacional de Desenvolvimento lançada pelo governo Geisel se parece com o Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC”, diz o economista Samuel Pessôa, da consultoria Tendências. “Ambos têm a mesma premissa ideológica de que o desenvolvimento passa pelo aumento da ação do Estado, financiando obras de infra-estrutura e apoiando a indústria nacional.”
No passado, dívidas foram contraídas para erguer obras como a usina de Itaipu, mas também se torrou dinheiro em projetos descabidos, como a Ferrovia do Aço. Hoje, o PAC financia as hidrelétricas do rio Madeira, mas também promete gastar bilhões com o trem-bala.
Que o passado sirva de lição para nós. Avançamos muito nos últimos anos, mas algumas medidas de combate a inflação devem ser revistas, ou poderemos nos ver no meio da incerteza novamente, e algumas pessoas no futuro poderão citar esta década como sendo mais uma década perdida. Nós não queremos isso.

Fontes: Revista Exame e Jornal Estado de São Paulo 

11/04/2011

Que diferença o IOF faz?


Nessas últimas semanas estamos observando algumas medidas fiscais mais austeras do governo para segurar a inflação, que vem numa crescente, se enquadrando num cenário que há muito não víamos. Mas numa visão menos holística, onde está o centro do problema? Será que o aumento no consumo por parte das famílias é o problema todo e ponto final? Nós, do economia sem mito acreditamos que tudo na economia, assim com nas ciências humanas em geral não é explicado por apenas uma razão. Um exemplo disso, o fluxo cambial a que somos submetidos, é causado por no mínimo 2 problemas...1º: O dólar está mais barato, não só aqui, mas no mundo todo e 2º: O juro real brasileiro é quase o triplo do australiano (2º maior do mundo), isso garante o chamado ganho de arbitragem aos tomadores de crédito externo. E incluindo na discussão um 3º problema, podemos mencionar os gastos públicos que só no 1º bimestre deste ano subiram 15%, o que não é ruim, ou incomum aos governos centrais de todo o mundo, o gasto pode, alias deve subir, mas desde que seja numa cadencia em relação percentual ao PIB.


O fato dado é que as empresas daqui estão num movimento singular de aumento de exposição em moeda estrangeira, basicamente o movimento se dá pelo ganho na arbitragem favorecido pela diferença entre os juros internos e externos, pelo cambio valorizado e pelo forte consumo doméstico (fatos já comentados acima). Na pratica uma coisa leva a outra, Juros altos levam ao forte fluxo de capital positivo (sempre na visão Brasil), que leva ao barateamento do crédito interno, que leva ao aumento do consumo. E onde o governo põe o “dedo”? Digamos que o governo tenta acabar com o problema da fome costurando a boca. Ou seja, o consumo está alto! Então reduz o consumo, dobra o IOF dos empréstimos. Só que há uma ressalva nisso tudo. O consumidor não está nem ai se o IOF está em 1,5%, 3%, 15%, ou 70%...nesse caso a conta é mais simples, se cabe, ou não no orçamento. Ele não vai deixar de consumir por que vai pagar um pouco mais na prestação, se a perspectiva para a economia é boa (e é), o emprego está garantido e consequentemente a renda do individuo também está, e assim sendo, o consumo vai existir independente do IOF mais elevado. Mas engano maior é dizer que o Mantega não sabe disso, é obvio que ele sabe (alias sabe muito mais do que nós), só que não é uma questão somente de Brasil, há uma onda mundial de medidas chamadas de “legitima defesa” e que no final de tudo se não causou o efeito desejado pelo menos gerou mais receita ao governo. Só do 1º aumento de IOF no início do ano, foram mais de R$ 7 bi de elevação na arrecadação.


E por que as empresas estão se endividando no exterior de maneira tão agressiva? Além de todas as vantagens já apresentadas acima, há uma razão por de trás que pouco se comenta, ou melhor, nem se comenta. O motivo do por que uma empresa se endivida é problema na geração de caixa, se não, utilizava recurso próprio, puro e simples! E problemas de caixa estão associados além dos prazos entre pagamentos e recebimentos, ao custo de produção. Se o custo de produção está alto é por que há uma inflação pressionando, seja sobre o minério de ferro para as siderurgias, ou o preço do cimento para a construção civil. A mágica é: A empresa se endivida, reforça seu caixa e se for um banco, por exemplo, empresta esse dinheiro cobrando menos porque tomou a custo mais baixo no exterior, o que causa um grande desequilíbrio, pois se a SELIC está no patamar que está é por que a inflação está obrigando a isso e ela está pressionada por que o consumo doméstico está aquecido, só que essa “mágica” dribla a SELIC. Olhando isso entramos em 2 outras discussões: 1 – Isso explica em partes o porquê da alta no preço dos derivados de petróleo (assunto para um próximo post) e 2 – O problema todo só vai amenizar, quando tivermos uma redução dramática na SELIC que a faça convergir para patamares externos. O que nos traz a tona novamente a maior falha de mercado da nossa economia e das economias emergentes em geral: O cambio. E nisso fecho o post, com uma frase muito oportuna do ex-presidente do Santander no Brasil e da FEBRABAN, Fabio Barbosa em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, já há algum tempo, sobre o cambio: “Ideias boas não são novas e ideias novas não são boas.” Com isso fica uma advertência aos leitores sobre sempre haver a necessidade de enxergar as discussões propostas pela mídia por “n” visões, IOF não é nem nunca foi ferramenta de políticas monetária e cambial e nem é das melhores de política fiscal.
Um abraço a todos e não deixem de nos acompanhar.
Obrigado.

03/04/2011

José Alencar


“Existem irmãos que não são companheiros, mas existem companheiros que são como irmãos” Esta foi uma das frases que o ex Presidente Lula usou para definir o ex vice Presidente José Alencar, que faleceu nesta quarta feira, 29 de março de 2011.
Alencar tinha um ar de homem simples, não aparentava ser o empresário poderoso, dono de um dos maiores grupos têxteis do país. Serviu o Brasil não só como vice-presidente, mas em outras oportunidades já exerceu a função de Senador pelo PMDB, após perder as eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e Acumulou entre 2004 e 2006 o cargo de Ministro da defesa, mas acabou renunciando ao cargo para disputar as eleições novamente ao lado de Lula em 2006.   


Nascido em Itamuri, no município de Muriaé, aos 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, começou a trabalhar com sete anos de idade, ajudando o pai em sua loja. Tinha 14 irmãos e irmãs. Quando fez quinze anos, em 1946, foi trabalhar como balconista numa loja de tecidos conhecida por "A Sedutora". Em maio de 1948, mudou-se para Caratinga, para trabalhar na "Casa Bonfim". Notabilizou-se como grande vendedor, tanto neste último emprego, quanto no anterior. Ainda durante sua infância, entrou para o movimento escotista.
Aos dezoito anos, iniciou seu próprio negócio. Para isto contou com a ajuda do irmão Geraldo Gomes da Silva, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros. Em 31 de março de 1950, abriu a sua primeira empresa, denominada "A Queimadeira", localizada na cidade de Caratinga. Vendia diversos artigos: chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas, sombrinhas, etc. Manteve sua loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo.
Iniciou seu segundo negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou - em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho - de uma fábrica de macarrão, a "Fábrica de Macarrão Santa Cruz".
No final de 1959 seu irmão Geraldo faleceu. Assumiu então os negócios deixados por ele na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.
Em 1963, constituiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar Wembley Roupas S.A. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.

A Coteminas cresceu e hoje são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e MERCOSUL.
Na vida política, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura - CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.
Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, ao assumir o cargo em 2003, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.
Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até março de 2006. Nesta ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
José Alencar possuía um delicado histórico médico. A partir do ano 2000, enfrentou um câncer na região abdominal, tendo passado por mais de quinze cirurgias - uma delas com duração superior a 20 horas. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo. Em 2010, após repetidas internações e intervenções médicas, decidiu desistir de se candidatar ao Senado.
No final de seu mandato como vice-presidente da República, em 2010, apresentava um complexo estado de saúde, sendo necessária até mesmo a interrupção do tratamento contra o câncer. No dia 22 de dezembro de 2010, foi submetido a uma cirurgia para tentar conter uma hemorragia no abdômen. 

No dia seguinte Lula e a então presidente eleita Dilma Rousseff visitaram-no no hospital Sírio-Libanês em São Paulo.


Em 9 de janeiro de 2011, o sangramento é controlado e ele deixa a UTI. No final do mesmo mês, sai do hospital para receber uma honraria da Prefeitura de São Paulo, recebendo alta pouco depois para que continuasse o tratamento em casa. Em 9 fevereiro, retorna à UTI devido a uma perfuração intestinal, sendo liberado no mês seguinte.

Voltou a ser internado em 28 de março, vindo a morrer no dia 29 devido a falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer na região abdominal.
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva, que no momento da morte de Alencar se encontravam em Portugal por motivo da atribuição de um doutoramento honoris causa ao ex-presidente do Brasil concedido pela Universidade de Coimbra, anteciparam o seu regresso para o dia 30 de março. Dilma Rousseff ofereceu à família de Alencar o Palácio do Planalto para que o corpo seja velado e decretou um luto nacional de uma semana. Lula e Dilma acompanharam o velório em Brasília e Belo Horizonte. 
A família de Alencar optou por sua cremação, em cerimônia realizada no dia 31 de março no Cemitério Parque Renascer, em Contagem

Fontes: Terra, UOL e Wikipedia


24/03/2011

Queda de braço entre Agnelli e governo!!!

Desde a crise em 2008/2009, rumores rondam a maior mineradora brasileira e 2ª maior no mundo, sobre a substituição de seu presidente executivo, o paulista de 51 anos Roger Agnelli (Se fala Rogêr Anhéli).

                                     

Até sexta (18) muito se especulava sobre a pressão política que Agnelli vinha sofrendo, mas oficial mesmo nenhum comunicado direto do governo havia sido divulgado expressando a vontade dos políticos. Até sexta, pois num encontro ocorrido entre o Ministro da economia, Mantega e o presidente do conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, ficou não só claro, como oficializado o desejo do governo pela saída de Roger da presidência da Vale. Mantega teria pedido a Brandão que a substituição ocorresse na próxima assembleia dos acionistas que acontece no próximo mês. Nomes surgem como o de Fabio Barbosa do Santander, que não só é amigo do ex-presidente Lula, como tem uma relação muito próxima com o atual governo, além, é claro de sua competência, experiência e capacidade mais do que provada ao longo de todos esses anos a frente de instituições como Banco Real, ABN AMRO, Santander e FEBRABAN. A não ser, é obvio, pelas vontades do executivo e dos acionistas, o caminho para a presidência da Vale estaria livre, já que Barbosa não ocupa mais a presidência do Santander no Brasil, substituído pelo espanhol Marcial Portela (ex-diretor geral da instituição) e da FEBRABAN substituído por Murilo Portugal (renomado profissional com ampla experiência no setor público, funcionário de carreira do Ipea que ocupava o cargo de vice-diretor-geral do FMI, 3º cargo mais importante da instituição em todo o mundo). Mesmo com todas as qualidades de Fabio Barbosa, isso é apenas mais uma especulação que pairou sobre o tema em algum momento.


Como todos sabem a Vale foi privatizada em maio de 97, pelo então governo FHC, não que tenhamos a intenção de criticar o ex-presidente, pois temos sempre que tomar o cuidado em não cometer injustiças ao comparar os governos que se seguiram. Os cenários econômicos em cada período não eram nem de longe os mesmos, nós não dispúnhamos naquela época de uma economia tão forte e presente nas questões globais como temos hoje, mas isso é outra discussão. Voltando ao ponto...o fato é! A Vale não é mais uma empresa estatal desde 97, no entanto isso não quer dizer que não se cultive ainda um viés público aos arredores da companhia, o governo influencia as decisões da empresa pelo BNDES e pelos fundos de pensão de empresas estatais como a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que são acionistas da mineradora, alias os fundos de pensão todos, não só os da Previ, detém a maior parte das ações da empresa. O conselho de administração da Vale ainda conta com outros acionistas de peso como a Bradespar (empresa de participações ligada ao Bradesco) criada após a privatização em 97 e a trading japonesa Mitsui.

Numa breve descrição da evolução da Vale desde a sua privatização e principalmente desde o inicio da gestão de Agnelli, muitas coisas mudaram e maioria delas para melhor, a Vale produzia em 97 quando foi privatizada, 114 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, Em 2005, sua produção se elevou em 44,71% chegando a 255 milhões de toneladas/ano, sendo 23% destinadas às siderúrgicas brasileiras e o restante, destinadas à exportação. O ponto de inflexão da Vale, aconteceu para valer em outubro de 2006, quando a companhia adquiriu a canadense Inco, tornando-se a segunda maior empresa de mineração do mundo, perdendo apenas para a anglo-australiana BHP Billiton. Na operação, a Vale comprou 75,66% das ações ordinárias da Inco por cerca de 18 bilhões de dólares. Ano passado a Vale S/A (Nome alterado em assembleia geral realizada em 2009, que mudou a razão social da empresa de CVRD para Vale S/A) ultrapassou a Petrobras como a maior exportadora do país, mandando para fora 24 bilhões de dólares e contribuindo para o superávit comercial do Brasil com 95,83% desse valor, já que a companhia importa apenas 1 bilhão por ano. Com o preço do minério de ferro em alta no mercado internacional é provável que a Vale mantenha a dianteira neste ano, mesmo com o viés de baixa da matéria-prima no mundo. A empresa atua hoje nos segmentos de Minerais ferrosos, como o minério de ferro, principal produto da companhia, na chamada cadeia de alumínio, que possui bauxita, alumina, alumínio primário, atua ainda no segmento de minerais não ferrosos como o cobre, no segmento de carvão com um dos principais projetos da Vale na vila de Moatize, em Moçambique, uma iniciativa incomum as empresas no mundo todo, explorando a África, última reserva de recursos naturais do planeta, se posicionando estrategicamente em vantagem aos concorrentes, além de gerar desenvolvimento local e por último, os segmentos de fertilizantes com as produções de potássio e manganês, e logística, segmento em que a Vale detém 68% da atividade de carga ferroviária do país e 27% da movimentação portuária total da economia, sendo a maior empresa no setor.


Os números falam por si só, é inquestionável que a gestão do atual presidente Agnelli trouxe para a Vale muitos benefícios e não só direcionados para os acionistas, mas para o país, é claro que escorado numa valorização do minério de ferro em mais de 120% nos últimos anos pressionado pela demanda global e principalmente pela China, a companhia, que é a maior detentora de reservas de minério de ferro do mundo, pôde se beneficiar e dar o salto para a 2ª colocação no ranking das mineradoras do mundo, tendendo ao 1º em breve, mas os ventos foram bons para todos e se a Vale deu o salto que deu, foi por que houve algo a mais, houve uma gestão competente e principalmente por que houve um presidente competente, um economista formado pela Fundação Armando Álvares Penteado, com 21 anos de Bradesco, 10 de Vale, um “espírito animal” e uma visão empreendedora muito peculiar de Agnelli. Então o que explica uma troca no comando da companhia? Pontos controversos vindos do governo como o fato das demissões mássicas durante a crise, sendo que no balanço entre demissões e contratações, o saldo é positivo, à suspensão de investimentos no Brasil, no mesmo período, sendo que a Vale foi a empresa que mais investiu no país e alguns outros pontos que culminaram com uma pressão política pela saída de Roger. Pois é, caros leitores, inexplicável à razão, os números estão dados e ao contrário do governo, o mercado enxerga em Roger Agnelli a garantia de um comprometimento concentrado e direcionado principalmente ao retorno para seus acionistas e uma blindagem contra interesses políticos. Mais um importante dado de 2010 foi o lucro da Vale, por sinal o maior lucro líquido da história da indústria de mineração em R$ 30,1 bilhões. Isso nos abre um precedente para uma reflexão:

Será que problema é mesmo o Roger Agnelli, ou é a cadeira que ele ocupa?

Fontes: http://www.vale.com/pt-br/paginas/default.aspx e matéria divulgada em 21/03/2011 no jornal O Estado de S.Paulo – “Mantega negocia com Bradesco saída de Agnelli” de David Friedlander

15/07/2010

Oito anos de governo LULA



Após três tentativas mal sucedidas de assumir a presidência do país, 
Luis Inácio Lula da Silva assume o mais alto nível do poder executivo no dia 1º de Janeiro de 2003. Desde então, o que mudou?

Nas ultimas semanas uma pesquisa do Datafolha mostrou que o governo obteve 78% de aprovação dos populares, batendo mais um recorde; sendo que no nordeste este nível chega a 87%. Vamos analisar os principais feitos do governo Lula e entender se esta aprovação merece índices tão altos.

Após oito anos de FHC, Lula chega ao governo tendo que combater o grande temor do mercado externo, este temia mudanças bruscas na economia do país o que poderia afetar seus investimentos.
No dia da posse de Lula o dólar se aproximava dos $ 4,00 e o risco-país estava em torno dos 2.400 pontos, a taxa SELIC estava em 25% e diante deste cenário o governo entrou em ação com medidas que hoje podemos afirmar bem sucedidas.
Lula convocou para presidência do Banco Central o Deputado Estadual eleito pelo PSDB de Goiás Henrique Meirelles, o mercado recebeu bem esta decisão, Meirelles é bem conhecido no cenário internacional, ele foi gerente financeiro do Bank Boston. Com esta decisão Lula mostrou ao mercado que as mudanças bruscas no rumo da economia não aconteceriam.

Ao assumir o governo Lula viu diante de si uma inflação (IPCA) de dois dígitos, cerca de 12,5%. Nos sete primeiros anos de governo Lula, a inflação se manteve dentro da meta estabelecida com exceção de 2003 quando não conseguiu ficar dentro da meta de 8,5% estabelecida pelo BC, chegando a 9,30%, mas houve avanço se compararmos aos 12,5% do ano anterior. Em 2006 atingimos a menor taxa de inflação desde a implantação do regime metas em 1999, esta ficando em 3,14%. Hoje a inflação esta controlada dentro das metas estipuladas pelo BC.

O nível de emprego no país também obteve grande avanço nesses oito anos de governo, o Brasil chegou à menor taxa de desemprego desde 2002, chegando a maio de 2010 em 7,3%, menor taxa desde então. Grande parte da população pobre migrou para classe média, isto devido à geração de empregos, aumento dos salários e a distribuição do crédito, que impulsionaram a economia nesses oito anos. O salário mínimo teve um aumento de 155%, saindo de R$ 200,00 para R$ 510,00.

Podemos afirmar que houve avanço do emprego, sem duvida, mas empregos de qualidade não foram nem estão sendo gerados, mesmo ampliando nossa visão para governos anteriores podemos constatar que nesse aspecto pouca coisa mudou. O problema esta na mão de obra. Falta mão de obra qualificada e isso só será revertido no futuro, isso se as bases de educação forem mudadas agora, do contrário o cenário continuará o mesmo e pode ficar pior.

Os avanços no PIB também foram significativos, a média de crescimento entre 2002 e 2009 é de 3,55% ao ano, no governo anterior (FHC) entre 1994 e 2001 essa média ficou em 2,25% ao ano.  O primeiro trimestre de 2010 registrou crescimento de 2,7% do PIB, Em relação aos três primeiros meses de 2009, a expansão foi de 9%.

Estes foram alguns dos muitos avanços na economia, porém muita coisa ainda precisa ser feita, principalmente agora que o país vai sediar grandes eventos internacionais (Copa do Mundo e Olimpíadas), precisamos olhar um pouco mais para dentro, o Brasil enfrenta muitos problemas de infra-estrutura, somos decadentes na área de aeroportos, portos, estradas, hospedagens, etc. Todas estas áreas citadas são vitais para que um país obtenha sucesso ao sediar grandes eventos internacionais, já recebemos a Formula 1 todos os anos, mas isso não é nada se comparado a uma copa do mundo ou uma olimpíada.



O cenário internacional é muito valorizado pelo nosso governo, é só olhar para nossa taxa de juros para entender este fato, os juros reais do Brasil são um dos maiores do mundo, isso atrai investimentos internacionais visando grandes taxas de retorno. Porém nos próximos o nível da taxa de juros deve cair para impulsionar o desenvolvimento interno. Seria interessante, e acreditamos que isso ocorra, se os investimentos privados aumentassem na área de infra-estrutura, o governo precisa de apoio privado para construção de vias de transporte, já se fala em concessão de aeroportos para iniciativa privada, o que já é um avanço. Em São Paulo a linha 4 do metrô (amarela) já esta operando no nível de concessão a iniciativa privada. Se a iniciativa privada não se interessar por esse tipo de investimento, os gastos do governo nos próximos anos serão muito altos. Naturalmente os gastos irão subir, mas o apoio da iniciativa privada é fundamental.

2010, ano de eleição, os principais candidatos, Serra e Dilma, não se atrevem a mudar muito o discurso para falar em mudar o que já vem sendo feito por Lula, principalmente na economia; com Dilma ou mesmo com Serra esperamos que algum PAC seja finalmente realizado, os PAC’s, ou seja, lá qual nome vão dar aos programas de infra-estrutura  precisam ser feitos, o prazo é curto. Os investimentos feitos em infra-estrutura no governo LULA foram muitos baixos. A taxa de investimento em infra-estrutura com relação ao PIB é de apenas 0,6%.

Do Próximo governo esperamos mudanças significativas na educação, temos que olhar para o futuro, sobram pessoas, falta educação de qualidade.

Por: Economia sem Mito

23/06/2010

Crise Européia: Grécia


A Europa está cada vez mais afundada na crise, que tem como protagonistas os tão comentados Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), grandes alavancas desta tragédia. O fato é, entraram em crise por que gastaram em demasia, digamos que eles exerceram um keynesianismo exagerado. A Grécia, centro da crise, por exemplo, possui um dos Estados mais participativos na economia entre os países europeus. O governo é detentor de cassinos, hotéis, petroleiras e seguradoras. Até antes do estouro da crise o governo grego possuía US$ 12 bi em ações na bolsa de Atenas, um exagero quando se trata da participação do Estado na economia.
Com a decisão em 1998 da utilização do Euro como moeda única para alguns países membros da Comunidade Econômica Européia (CEE), algumas exigências foram estabelecidas para que um país pudesse utilizar a nova moeda como moeda oficial. Tais regras previam entre outras exigências, a estabilidade da inflação e da taxa de juros de longo prazo, que não deviam ultrapassar em mais de 1,5% e 2% a.a, respectivamente, com relação a média dos três países com melhores resultados olhando sempre para a estabilidade de preços entre os países-membros. Vale lembrar que com a onda de aperto econômico imposta pelo governo grego, a inflação disparou em maio deste ano para 5,4% a.a. na Grécia, em 2008 a inflação havia fechado em 2,6%. Outra importante imposição foi à política de controle no déficit orçamentário, exigia-se que um país-membro não excedesse mais que 3% de seu PIB com déficit público, a Grécia chegou a incríveis 12,7%, gastando 51,3% do PIB e mantendo suas receitas em 38,7%. Exigia-se também que não tornasse a divida pública maior que 60% com relação ao PIB, a Grécia não só mais do que dobrou essa marca, chegando a 125%, como teve o rebaixamento de sua divida em quatro níveis pela Moddy´s, uma das principais agencias de classificação de risco. Podemos associar a crise a uma série de fatores, mas o principal deles é justamente este, o governo gastou demais, cobrou muitos impostos e deu muitos benefícios à população, o que desestimulou a atividade empreendedora e tornou o povo acomodado, ou seja o povo fica bem sem trabalhar, pois sabe que o beneficio estará lá.
 
O plano de ajuda à Grécia que prevê nos próximos três anos a quantia de 110 bi de euros, incluindo a participação de países da zona do euro e do FMI, esta ajuda deve sanar em partes a dívida grega e evitar um calote, mas as coisas na Grécia precisam mudar, enquanto não houver corte de gastos, aumento na taxa de juros, redução nos benefícios a população, incentivando-a ao trabalho, redução nos salários de funcionários públicos, um forte programa de privatizações, será apenas uma questão de tempo para que uma nova crise de crédito, como a que ocorreu em 2009 volte a assolar o planeta.
  Por: Economia sem Mito

19/05/2010

As Privatizações no Brasil


Quando o processo de administração das empresas públicas não é bom e o próprio governo reconhece essa ineficiência é estudada a possibilidade de repasse deste poder de administração para o setor privado.


As empresas privadas possuem administração, na maioria dos casos, competente com foco em resultados como crescimento, geração de lucro e emprego; muitas vezes o setor público perde esse foco, ou mesmo não o tem, deixando sua administração ser levada sem rumo nem objetivo algum, baseada na troca de favores políticos.  Na maioria dos casos a relação “Urna x Administração pública” é muito forte.



São inúmeros os casos nos quais candidatos oferecem cargos de destaque em empresas públicas ou mesmo em seus gabinetes em troca de votos ou apoio em suas campanhas eleitorais.
Muitas pessoas criticam o processo de privatização das empresas públicas por defenderem a participação do estado nas grandes empresas, mas estes se esquecem da ineficiência da administração pública.


No Brasil podemos sentir muitos efeitos do processo de privatização que seu deu nos últimos vinte anos; a partir de 1990 mais de cem empresas e concessionárias de serviços públicos tiveram seus controles vendidos ao setor privado.
O governo ainda é um dos maiores beneficiados pelo processo de privatização, nos últimos anos a arrecadação de impostos vem batendo recordes. Empresas que antes sufocavam as contas do governo com seus déficits, hoje geram lucro e pagam impostos, estes superam seu faturamento em época de administração pública.


Um exemplo disso é a Vale do Rio Doce, antes de sua privatização em 6 de Maio de 1997, a empresa sofria sem recursos para se modernizar e com balanços deficitários sucessivos. Com a privatização a Vale passou a não ter a obrigação de repassar seus ganhos para a União, sendo assim esses recursos podem ser investidos na própria empresa, e isso aumenta a sua competitividade no mercado. A política de controle acionário proporciona a escolha de profissionais mais competentes no mercado para administrar a empresa. Hoje o governo arrecada mais com impostos pagos pela Vale do que quando obtinha o seu controle.


Uma grande parcela da população sente os efeitos bons do processo de privatização das empresas publicas. Um dos efeitos que posso destacar é o da telefonia, antes da privatização do sistema Telebrás (composto por 27 empresas de telefonia fixa e 26 de telefonia celular) uma linha telefônica chegava a custar R$ 8.000,00 e sua instalação demorava cinco anos, em 1998 quando as empresas privadas entraram no mercado o Brasil possuía 22 milhões de linhas telefônicas com serviço precário e custos altos.


Com a entrada de novas empresas no mercado de telefonia o efeito “telefone para todos” começou a surgir; até o fim de 2005, 125,7 milhões de aparelhos já estavam em atividade entre celulares e fixos. O custo foi sistematicamente reduzido e a instalação se tornou quase que instantânea. Um dos problemas gerados com a privatização foi o monopólio que surgiu, sobretudo no estado de São Paulo.
No longo prazo foram gerados milhares de empregos, haja vista o boom de uma categoria chamada telemarketing.


Mas a participação do governo nos setores vendidos não acabou; com as privatizações foram criadas as agências reguladoras, Elas são departamentos autônomos que criam regras e fiscalizam o funcionamento das concessionárias. Atualmente, são mais de vinte, sendo oito federais. Entre elas estão a Anatel, que cuida da telefonia, a Aneel, responsável pela energia elétrica, ANP, que trata de petróleo e a ANAC que cuida da aviação civil.


O setor financeiro foi muito beneficiado pelas privatizações, muitos eram os bancos públicos estatais, que tinham seu controle administrado por prefeitos e governadores, isso favorecia a corrupção, pois os estados se financiavam não dependiam do mercado nem mesmo da união para garantir o andamento de suas “obras”. Dentre os bancos estatais privatizados podemos destacar o Banespa - Banco do Estado de São Paulo, vendido ao espanhol Santander no ano 2000, um marco no setor financeiro do país, que determinou a maior ofensiva do banco espanhol no Brasil.

Concorrentes do espanhol os brasileiros Itaú e Bradesco na época afirmavam que arrematar o Banespa no leilão do dia 20 de Novembro de 2000 era uma questão de honra, mas no final estes não conseguiram superar a oferta de R$ 7,050 bilhões  que o espanhol fez ao governo brasileiro, esta ação culminou na entrada do concorrente espanhol no mercado paulista com  força, a população se beneficiou com o aumento da concorrência e com o aumento do leque de opções na hora de escolher um banco para abrir conta.


Muitos foram os servidores públicos que saíram as ruas para protestar na defesa da manutenção de seus empregos. Mas depois o Santander imprimiu novos rumos à administração do banco.
Hoje temos um setor financeiro mais regulado e hígido.
Fazendo um balanço, olhando as mudanças proporcionadas pelo processo de privatização, hoje temos um país que cresce sistematicamente com uma economia saudável, ainda estamos longe de sermos considerados um país de primeiro mundo, mas as medidas que foram tomadas e estão sendo mantidas e aperfeiçoadas estão nos levando para mais perto deste patamar.

Por: Nilton Nascimento

22/04/2010

O Plano Real



O Brasil necessitava de um novo plano para salvar sua economia, não poderíamos prosseguir com uma inflação desajustada aos mesmos níveis dos anos 80.
O Presidente Itamar Franco reuniu pessoas capazes de elaborar uma saída para a economia do país, foram eles, Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e Ministro da Fazenda, juntamente com os economistas: Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan e Edmar Bacha.

Estes tinham uma difícil missão a cumprir; elaborar um plano econômico que acabasse com a pressão dos preços sem congelamento dos mesmos e diminuir a liquidez na economia, sem bloquear poupanças como no plano anterior.
Árida teve a idéia, então FHC logo pensou em colocá-la em prática.


No vídeo abaixo o ex presidente fala um pouco sobre o plano:


O Plano Real era tido como um plano tecnicamente bem feito, mas alguns economistas temiam que o governo falhasse na execução; o que era muito comum em políticas de estabilização, onde não se errava no plano e sim na execução.
A execução do plano englobava principalmente Política fiscal e Monetária, essas duas deveriam ser e foram infalíveis para o sucesso do mesmo.

O Plano Real foi um marco na economia brasileira e mundial, bateu recorde no tempo de planejamento e colocação da nova moeda em circulação. Essas operações ocorreram em apenas 8 meses.

Após a saída de FHC do ministério para concorrer às eleições presidenciais de 1994, Rubens Ricupero assumiu o posto de Ministro da Fazenda e deu continuidade ao plano.
Ricupero teve grande participação no plano, cuidou de sua execução de uma forma exemplar, sendo mais tarde reconhecido pelo próprio FHC como uma das pessoas mais importantes para que o plano obtivesse êxito.

“Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro reformas monetárias no período e em cada uma delas deletamos três dígitos da moeda nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso único no mundo, desde a hiperinflação alemã dos anos 1920.”           
                                                                                            Joelmir Beting

Após o escândalo da Parabólica Ricupero deixou o ministério, sendo substituído por Ciro Gomes em Setembro de 1994. Ciro não teve participação nenhuma no Plano Real.
A população teve de se adaptar muito rápido às mudanças impostas pelo Governo, antes da introdução oficial do Real em 01/07/1994 as pessoas se viram usando até três moedas diferentes (Cruzeiro real, URV e Real). Era comum ir à feira e ver placas com preços marcados em vários tipos de moeda.


Segundo jornais e revistas da época cobradores de ônibus receberam treinamento de ultima hora para calcular preço de passagens e troco. Muitas pessoas tinham contato com a nova moeda nas próprias catracas dos ônibus. Outros recebiam a nova moeda e não conseguiam gastar, alegavam que aquilo só seria dinheiro em no mínimo 20 dias.

O Plano Real enfrentou algumas crises, a primeira foi a do México em 1995; entre 1997 e 1998 cerca de 400 instituições financeiras quebraram, mas por mais espantoso que seja este cenário já era esperado, pois estas instituições não se prepararam para um ambiente sem inflação crônica.
Hoje em dia temos um sistema bancário considerado intacto, passamos quase que ilesos à crise do SUBPRIME. Outro fator que colaborou para a segurança dos bancos foi a criação do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) em 1995, este plano dá pode ao Banco Central para intervir no caso de falência da instituição.

Mas a crise do México manchava a imagem dos demais países emergentes, então investidores viam o Brasil com certa desconfiança, o que levou o Banco Central a elevar sua taxa de juros (SELIC) para tentar manter o capital estrangeiro. Em 1998 veio a crise da Ásia e em 1999 a crise da Rússia, com isso a SELIC alcançou o nível de 45% em março de 1999. Em Janeiro do mesmo ano o País abandonou o regime de câmbio fixo, desde então Brasil adota o regime de câmbio flutuante (o preço do US$ é determinado pelo mercado). Depois vieram as crises do Apagão e das Torres Gêmeas em 2001, refletindo nas bolsas de valores em todo o mundo e no Brasil vivíamos a crise do apagão. O governo continuou com as mesmas medidas e mesmo assim o Brasil foi muito afetado. Nas eleições de 2002 o PT colocou em evidência as crises sofridas pelo governo FHC, colocando em xeque a candidatura do Tucano José Serra. As decisões tomadas em 1999 e adiante foram muito importantes para a estabilidade do plano ao longo desses anos. Após a saída de FHC da presidência, Lula reuniu pessoas capazes de conduzir a Economia de uma forma que podemos afirmar que o Plano Real foi aprimorado nestes 7 anos de Governo.

As medidas anticíclicas tomadas durante a crise de 2008 foram essenciais para o sucesso do Brasil em meio a um cenário econômico caótico. O estimulo ao crédito e a responsabilidade de tranqüilizar a população em meio a uma crise de grandes proporções levou o país a sair da crise quase que ileso.
Acredito que estamos no rumo certo, esta moeda foi e é fundamental para o nosso desenvolvimento como Grande Economia do mundo.
Esperamos que os próximos governantes, saibam guiar nosso país de maneira que as medidas que conhecemos hoje sejam aprimoradas no futuro.

Por: Nilton Nascimento