03/04/2011

José Alencar


“Existem irmãos que não são companheiros, mas existem companheiros que são como irmãos” Esta foi uma das frases que o ex Presidente Lula usou para definir o ex vice Presidente José Alencar, que faleceu nesta quarta feira, 29 de março de 2011.
Alencar tinha um ar de homem simples, não aparentava ser o empresário poderoso, dono de um dos maiores grupos têxteis do país. Serviu o Brasil não só como vice-presidente, mas em outras oportunidades já exerceu a função de Senador pelo PMDB, após perder as eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e Acumulou entre 2004 e 2006 o cargo de Ministro da defesa, mas acabou renunciando ao cargo para disputar as eleições novamente ao lado de Lula em 2006.   


Nascido em Itamuri, no município de Muriaé, aos 17 de outubro de 1931, filho de Antônio Gomes da Silva e Dolores Peres Gomes da Silva, começou a trabalhar com sete anos de idade, ajudando o pai em sua loja. Tinha 14 irmãos e irmãs. Quando fez quinze anos, em 1946, foi trabalhar como balconista numa loja de tecidos conhecida por "A Sedutora". Em maio de 1948, mudou-se para Caratinga, para trabalhar na "Casa Bonfim". Notabilizou-se como grande vendedor, tanto neste último emprego, quanto no anterior. Ainda durante sua infância, entrou para o movimento escotista.
Aos dezoito anos, iniciou seu próprio negócio. Para isto contou com a ajuda do irmão Geraldo Gomes da Silva, que lhe emprestou quinze mil cruzeiros. Em 31 de março de 1950, abriu a sua primeira empresa, denominada "A Queimadeira", localizada na cidade de Caratinga. Vendia diversos artigos: chapéus, calçados, tecidos, guarda-chuvas, sombrinhas, etc. Manteve sua loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo.
Iniciou seu segundo negócio na área de cereais por atacado, ainda em Caratinga. Logo em seguida participou - em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantuil Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho - de uma fábrica de macarrão, a "Fábrica de Macarrão Santa Cruz".
No final de 1959 seu irmão Geraldo faleceu. Assumiu então os negócios deixados por ele na empresa União dos Cometas. Em homenagem ao irmão, a razão social foi alterada para Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.
Em 1963, constituiu a Companhia Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde passaria a se chamar Wembley Roupas S.A. Em 1967, em parceria com o empresário e deputado Luiz de Paula Ferreira, fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Em 1975, inaugurava a mais moderna fábrica de fiação e tecidos que o país já conheceu.

A Coteminas cresceu e hoje são onze unidades que fabricam e distribuem os produtos: fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno, para os Estados Unidos, Europa e MERCOSUL.
Na vida política, foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, presidente da FIEMG (SESI, SENAI, IEL, CASFAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e, em 1998, disputou uma vaga no Senado Federal, elegendo-se com quase três milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura - CI, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.
Foi, ao início, um vice-presidente polêmico, ao assumir o cargo em 2003, tendo sido uma voz discordante dentro do governo contra a política econômica defendida pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que mantém os juros altos na tentativa de conter a inflação e manter a economia sob controle.
Já a partir de 2004, passou a acumular a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa. Por diversas oportunidades, demonstrou-se reticente quanto à sua permanência em um cargo tão distinto de seus conhecimentos empresariais, mas a pedidos do presidente Lula, exerceu a função até março de 2006. Nesta ocasião, renunciou para cumprir as determinações legais com o intuito de poder participar das eleições de 2006. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
José Alencar possuía um delicado histórico médico. A partir do ano 2000, enfrentou um câncer na região abdominal, tendo passado por mais de quinze cirurgias - uma delas com duração superior a 20 horas. Em sua longa batalha contra o câncer, submeteu-se a um tratamento experimental nos Estados Unidos, com resultado inconclusivo. Em 2010, após repetidas internações e intervenções médicas, decidiu desistir de se candidatar ao Senado.
No final de seu mandato como vice-presidente da República, em 2010, apresentava um complexo estado de saúde, sendo necessária até mesmo a interrupção do tratamento contra o câncer. No dia 22 de dezembro de 2010, foi submetido a uma cirurgia para tentar conter uma hemorragia no abdômen. 

No dia seguinte Lula e a então presidente eleita Dilma Rousseff visitaram-no no hospital Sírio-Libanês em São Paulo.


Em 9 de janeiro de 2011, o sangramento é controlado e ele deixa a UTI. No final do mesmo mês, sai do hospital para receber uma honraria da Prefeitura de São Paulo, recebendo alta pouco depois para que continuasse o tratamento em casa. Em 9 fevereiro, retorna à UTI devido a uma perfuração intestinal, sendo liberado no mês seguinte.

Voltou a ser internado em 28 de março, vindo a morrer no dia 29 devido a falência múltipla dos órgãos em decorrência do câncer na região abdominal.
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula da Silva, que no momento da morte de Alencar se encontravam em Portugal por motivo da atribuição de um doutoramento honoris causa ao ex-presidente do Brasil concedido pela Universidade de Coimbra, anteciparam o seu regresso para o dia 30 de março. Dilma Rousseff ofereceu à família de Alencar o Palácio do Planalto para que o corpo seja velado e decretou um luto nacional de uma semana. Lula e Dilma acompanharam o velório em Brasília e Belo Horizonte. 
A família de Alencar optou por sua cremação, em cerimônia realizada no dia 31 de março no Cemitério Parque Renascer, em Contagem

Fontes: Terra, UOL e Wikipedia


24/03/2011

Queda de braço entre Agnelli e governo!!!

Desde a crise em 2008/2009, rumores rondam a maior mineradora brasileira e 2ª maior no mundo, sobre a substituição de seu presidente executivo, o paulista de 51 anos Roger Agnelli (Se fala Rogêr Anhéli).

                                     

Até sexta (18) muito se especulava sobre a pressão política que Agnelli vinha sofrendo, mas oficial mesmo nenhum comunicado direto do governo havia sido divulgado expressando a vontade dos políticos. Até sexta, pois num encontro ocorrido entre o Ministro da economia, Mantega e o presidente do conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, ficou não só claro, como oficializado o desejo do governo pela saída de Roger da presidência da Vale. Mantega teria pedido a Brandão que a substituição ocorresse na próxima assembleia dos acionistas que acontece no próximo mês. Nomes surgem como o de Fabio Barbosa do Santander, que não só é amigo do ex-presidente Lula, como tem uma relação muito próxima com o atual governo, além, é claro de sua competência, experiência e capacidade mais do que provada ao longo de todos esses anos a frente de instituições como Banco Real, ABN AMRO, Santander e FEBRABAN. A não ser, é obvio, pelas vontades do executivo e dos acionistas, o caminho para a presidência da Vale estaria livre, já que Barbosa não ocupa mais a presidência do Santander no Brasil, substituído pelo espanhol Marcial Portela (ex-diretor geral da instituição) e da FEBRABAN substituído por Murilo Portugal (renomado profissional com ampla experiência no setor público, funcionário de carreira do Ipea que ocupava o cargo de vice-diretor-geral do FMI, 3º cargo mais importante da instituição em todo o mundo). Mesmo com todas as qualidades de Fabio Barbosa, isso é apenas mais uma especulação que pairou sobre o tema em algum momento.


Como todos sabem a Vale foi privatizada em maio de 97, pelo então governo FHC, não que tenhamos a intenção de criticar o ex-presidente, pois temos sempre que tomar o cuidado em não cometer injustiças ao comparar os governos que se seguiram. Os cenários econômicos em cada período não eram nem de longe os mesmos, nós não dispúnhamos naquela época de uma economia tão forte e presente nas questões globais como temos hoje, mas isso é outra discussão. Voltando ao ponto...o fato é! A Vale não é mais uma empresa estatal desde 97, no entanto isso não quer dizer que não se cultive ainda um viés público aos arredores da companhia, o governo influencia as decisões da empresa pelo BNDES e pelos fundos de pensão de empresas estatais como a Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que são acionistas da mineradora, alias os fundos de pensão todos, não só os da Previ, detém a maior parte das ações da empresa. O conselho de administração da Vale ainda conta com outros acionistas de peso como a Bradespar (empresa de participações ligada ao Bradesco) criada após a privatização em 97 e a trading japonesa Mitsui.

Numa breve descrição da evolução da Vale desde a sua privatização e principalmente desde o inicio da gestão de Agnelli, muitas coisas mudaram e maioria delas para melhor, a Vale produzia em 97 quando foi privatizada, 114 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, Em 2005, sua produção se elevou em 44,71% chegando a 255 milhões de toneladas/ano, sendo 23% destinadas às siderúrgicas brasileiras e o restante, destinadas à exportação. O ponto de inflexão da Vale, aconteceu para valer em outubro de 2006, quando a companhia adquiriu a canadense Inco, tornando-se a segunda maior empresa de mineração do mundo, perdendo apenas para a anglo-australiana BHP Billiton. Na operação, a Vale comprou 75,66% das ações ordinárias da Inco por cerca de 18 bilhões de dólares. Ano passado a Vale S/A (Nome alterado em assembleia geral realizada em 2009, que mudou a razão social da empresa de CVRD para Vale S/A) ultrapassou a Petrobras como a maior exportadora do país, mandando para fora 24 bilhões de dólares e contribuindo para o superávit comercial do Brasil com 95,83% desse valor, já que a companhia importa apenas 1 bilhão por ano. Com o preço do minério de ferro em alta no mercado internacional é provável que a Vale mantenha a dianteira neste ano, mesmo com o viés de baixa da matéria-prima no mundo. A empresa atua hoje nos segmentos de Minerais ferrosos, como o minério de ferro, principal produto da companhia, na chamada cadeia de alumínio, que possui bauxita, alumina, alumínio primário, atua ainda no segmento de minerais não ferrosos como o cobre, no segmento de carvão com um dos principais projetos da Vale na vila de Moatize, em Moçambique, uma iniciativa incomum as empresas no mundo todo, explorando a África, última reserva de recursos naturais do planeta, se posicionando estrategicamente em vantagem aos concorrentes, além de gerar desenvolvimento local e por último, os segmentos de fertilizantes com as produções de potássio e manganês, e logística, segmento em que a Vale detém 68% da atividade de carga ferroviária do país e 27% da movimentação portuária total da economia, sendo a maior empresa no setor.


Os números falam por si só, é inquestionável que a gestão do atual presidente Agnelli trouxe para a Vale muitos benefícios e não só direcionados para os acionistas, mas para o país, é claro que escorado numa valorização do minério de ferro em mais de 120% nos últimos anos pressionado pela demanda global e principalmente pela China, a companhia, que é a maior detentora de reservas de minério de ferro do mundo, pôde se beneficiar e dar o salto para a 2ª colocação no ranking das mineradoras do mundo, tendendo ao 1º em breve, mas os ventos foram bons para todos e se a Vale deu o salto que deu, foi por que houve algo a mais, houve uma gestão competente e principalmente por que houve um presidente competente, um economista formado pela Fundação Armando Álvares Penteado, com 21 anos de Bradesco, 10 de Vale, um “espírito animal” e uma visão empreendedora muito peculiar de Agnelli. Então o que explica uma troca no comando da companhia? Pontos controversos vindos do governo como o fato das demissões mássicas durante a crise, sendo que no balanço entre demissões e contratações, o saldo é positivo, à suspensão de investimentos no Brasil, no mesmo período, sendo que a Vale foi a empresa que mais investiu no país e alguns outros pontos que culminaram com uma pressão política pela saída de Roger. Pois é, caros leitores, inexplicável à razão, os números estão dados e ao contrário do governo, o mercado enxerga em Roger Agnelli a garantia de um comprometimento concentrado e direcionado principalmente ao retorno para seus acionistas e uma blindagem contra interesses políticos. Mais um importante dado de 2010 foi o lucro da Vale, por sinal o maior lucro líquido da história da indústria de mineração em R$ 30,1 bilhões. Isso nos abre um precedente para uma reflexão:

Será que problema é mesmo o Roger Agnelli, ou é a cadeira que ele ocupa?

Fontes: http://www.vale.com/pt-br/paginas/default.aspx e matéria divulgada em 21/03/2011 no jornal O Estado de S.Paulo – “Mantega negocia com Bradesco saída de Agnelli” de David Friedlander