12/08/2011

AAA ou AA+... E você com isso?


Nestes dias temos visto nos noticiários, e já estamos de saco cheio, depois que a agência internacional de classificação de risco Standard and Poor’s  (S&P’s), rebaixou a nota dos EUA de AAA (triple A) para AA+ o mercado reagiu de uma forma esperada. Mas daí nasce a seguinte pergunta, no que isto interfere diretamente nas nossas vidas? Considerando nossa situação de cidadãos normais, a mais pura verdade é que o rebaixamento da nota dos EUA não interfere em nada nas nossas vidas, agora vamos explicar o por quê.
Como podemos ver, foram grandes os esforços do então presidente dos EUA, Barack Obama, para que o congresso aprovasse o aumento do limite de endividamento dos EUA.  Desta maneira o país esta seguro de pagar em dia aos detentores de seus títulos. Obama venceu a batalha no congresso, porém a S&P’s não sentiu firmeza na atuação do governo e rebaixou a nota do país. O downgrade causou um mal estar e Obama rebateu a decisão da agencia com o pronunciamento descrito abaixo.


"Não importa o que uma agência pode dizer, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA. Apesar de todas as crises que passamos, temos as melhores universidades, as melhores empresas, e os mais inventivos empreendedores"

Nesta mesma semana as bolsas de valores do mundo inteiro registraram as maiores baixas desde a crise financeira de 2008.


Mais uma vez os pequenos investidores são prejudicados pelos especuladores do mercado, Para que você que nos lê possa entender, veja as declarações de Eike Batista, em entrevista a Folha de São Paulo, durante o “caos” da bolsa de São Paulo:

O que o Sr. tem a dizer às pessoas que estão mais pobres porque investiram em suas empresas?
E B - Tenho a dizer que minhas companhias têm US$ 10 bilhões em caixa e que vamos começar a produzir e a gerar receita. O meu mundo real não parou por causa de disciplina financeira e estou com todo o dinheiro necessário para alcançar a produção esperada até 2015. Essa crise está sendo vivida, mas que bom que estou com o caixa forrado e totalmente preparado.

Como manter sangue frio enquanto perde US$ 2 bilhões?
E B - Meu sangue nesta hora está geladérrimo. Não posso fazer uma avaliação dessas se o mundo hoje só quer comprar ações que estão gerando caixa e que pagam dividendo. Bateu uma paúra no mercado. Dinheiro é covarde!
O mundo real está bombando; não tem lugar em avião no Brasil, não tem gente para trabalhar e eu vou pagar dissídio de 8,5% para meus funcionários porque tenho medo de que eles vão embora. Que bom que a Europa e os Estados Unidos não vão crescer. Vai sobrar gente qualificada e equipamento para comprar.


Nos trechos acima Eike define a ideia principal deste texto: a diferença entre o mundo real e o mercado financeiro que vemos todos os dias no noticiário, O mundo real realmente esta bombando, como disse Eike, empregos estão sendo gerados, as famílias estão consumindo mais. Vendo o noticiário esta semana pude ver que as empresas contratarão mais estagiários neste ano de 2011, (o mês de agosto é o melhor para quem procura uma posição no mercado).

Nosso dever, por enquanto, é ficar de olho na evolução da inflação, esta sim nos afeta diretamente. As notícias que vem do hemisfério norte não devem alterar o comportamento do consumidor interno, não que devamos fechar os nossos olhos para os fatos, porém não devemos frear as nossas ações devido a especulações do mercado.

Se você investe em empresas na bolsa de valores, e confia na solidez destas empresas, não saia do mercado agora, desta maneira você vai consolidar as suas perdas e os especuladores vão comprar as suas ações a um preço inferior para se desfazerem na alta destas ações. O mercado trabalha para quem sabe navegar em mares calmos, mas trabalha melhor para aqueles que navegam em águas turbulentas.

Nas ultimas semanas as ações das empresas Vale e Petrobras sofreram grandes baixas, isso não quer dizer que empresas como estas irão à falência, antes de fugir do mercado, reflita sobre a operação das empresas nas quais você investe, pesquise o mercado, leia as publicações dos balanços trimestrais, o parecer dos auditores independentes, diante de todas essas informações, verifique se é vantajoso se desfazer das ações devido a perdas de 5 ou até 10% do capital investido.

Até a conclusão deste texto, a Bolsa de São Paulo estava fechando em alta, ou seja, aqueles que se desfizeram de suas ações no meio da crise instalada pelos noticiários, não acompanharam a alta, quem lucrou foi aquele que aproveitou o pânico dos investidores e compraram ações de empresas sólidas no mercado a preço de banana.


Estamos usando termos acessíveis à maioria dos nossos leitores, não usamos muitos termos econômicos, o objetivo é sermos claros.

Uma vez eu ouvi um professor da faculdade dizer que o dinheiro das bolsas é intangível, hoje eu sei que esta frase faz muito sentido. 


Obrigado e não deixem de nos acompanhar.

29/07/2011

Série - Mercado Financeiro


Opções
A partir deste post por um período limitado, comentaremos sobre os conceitos de um produto financeiro aleatório, iniciando a série Mercado Financeiro.

Neste post trataremos sobre opções de um jeito simples e com exemplos práticos para facilitar o entendimento sobre o assunto.

Definições:

Primeiro, para se entender o que é uma opção na prática é necessário ter o conceito dos derivativos, bem claro.

Derivativos são contratos financeiros que negociam ativos objetos para entrega física, ou financeira em uma data pré-determinada, isto é, derivativo é um contrato que deriva de um ativo, chamado ativo objeto. Por exemplo, uma opção de ação, opção é o derivativo e ação o ativo objeto.

Opções são contratos financeiros onde é negociado o direito de compra ou de venda de algum ativo (ativo objeto), numa data futura por um preço pré-determinado (preço de exercício, ou strike price) e a obrigação da contraparte em comprar ou vender o ativo objeto no futuro.

Envolve a negociação de direitos (direito de exercício) e obrigações sobre um ativo objeto.

As opções podem ser negociadas no mercado de bolsa (padronizada) ou de balcão (flexíveis/não padronizadas).

Em outras palavras...imagine a seguinte situação:

Você acaba de comprar um carro e é claro que tem a intenção de imediatamente fazer um seguro para ele, afinal você quer eliminar os riscos iminentes que podem danar o seu patrimônio recém-adquirido. Então você faz o seguro e dessa forma temos um bom exemplo para tratar com mais clareza sobre o assunto. Nesse caso o carro é o ativo-objeto e a apólice de seguro é o derivativo, pois a apólice só existe para proteger o carro e tão logo só pode existir se o carro existir, isto é, se você vender seu carro imediatamente irá cancelar o seguro. Obs: Seguros não são derivativos, é apenas um exemplo!

Dentro desse exemplo, o que seria a opção?

Imagine outra situação:

Você possui o carro e um amigo seu deseja compra-lo, mas ele só tem 1 mil hoje e o restante poderá pagar daqui 30 dias. Seu amigo acredita que o carro irá se valorizar nesses 30 dias e não quer pagar mais após esse período, então propõe um acordo a você.

O carro custa hoje no mercado 30 mil, se o valor dele ultrapassar 32 mil o seu amigo poderá compra-lo por 30 mil, então ele terá o direito adquirido de comprar por 30 mil o que no mercado estará custando 32 mil e para isso ele te paga antecipadamente 1 mil, no entanto se o preço não chegar a 32 mil, ele não poderá compra-lo e terá perdido os 1 mil. Você ganha 1 mil de imediato e fica torcendo para o carro não atingir os 32 mil.

Esse exemplo acima representa o que seria a compra de uma opção de compra por parte do seu amigo e a venda de uma opção de compra por sua parte, vamos as definições.

Existem 2 tipos de opções:

Opção de compra, ou Call e opção de venda, ou Put. O investidor pode comprar Call e/ou vender Call, comprar Put e/ou vender Put. O exemplo acima trata de compra de call pelo seu amigo e venda de call por você.

Quando o investidor compra uma opção ele compra um direito de exercício e para isso paga uma quantia chamada de prêmio. Quando vende, ele adquire uma obrigação e recebe o prêmio. No nosso exemplo acima, você recebeu 1 mil de prêmio pago pelo seu amigo.

Quando compra-se uma call, compra-se um direito de exercício, ou seja, de comprar um ativo objeto a um determinado preço mais barato que no mercado. Quando se vende uma call somos a contraparte de uma compra de call, portanto devemos vender um determinado ativo objeto a um preço mais baixo que no mercado. O mesmo ocorre para a compra e venda de put, porém o mecanismo é invertido, quando eu compro uma put eu compro o direito de vender mais caro um ativo objeto do que seu preço no mercado, quando eu vendo uma put eu tenha a obrigação de comprar mais caro o ativo objeto que seu preço no mercado.

Veja o quadro abaixo:


Acompanhe nos gráficos abaixo a expectativa do investidor em relação ao movimento de preços do ativo objeto:





O quadro abaixo sintetiza a ideia:

Conclusão:

Derivativos de um modo geral servem para fazer hedge, isto é, proteção contra a oscilação de preços. Claro que existem os especuladores e os arbitradores atrás do lucro, mas isso além de dar liquidez ao mercado, faz parte do capitalismo, não fosse isso e não haveria mercado.

Um abraço a todos e não deixem de nos acompanhar.